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LUNATERRA

Império

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A esperança na exploração, reconstrução e diplomacia

A primeira fronteira para colonização espacial

A primeira fronteira para colonização espacial

Durante a constante evolução tecnológica do mundo antigo, centenas de anos antes do impacto, uma expedição multinacional financiada por grandes empresas de tecnologia, cruzaram a primeira fronteira para a colonização do espaço. Com um seleto e admirável grupo de cientistas e militares, foi criada a primeira instalação na lua, visando edificar um polo tecnológico habitável como base para novas explorações espaciais. Essa utopia era a promessa, não só de um centro de pesquisas e base para novas e mais distantes expedições, mas, também, de um exclusivo retiro para as elites financeiras que subsidiaram o projeto. 

A colônia lunar prosperou e se expandiu como base de pesquisas, utilizando recursos que foram levados da Terra, assim como recursos lunares, produzidos em estufas construídas para subsistência dos profissionais e suas famílias que lá residiam. Sua situação mudou quando inesperadamente a colônia lunar detectou a rota do corpo celeste. Seus cálculos, assim como os dos cientistas terrestres, não previam a colisão do asteroide com a terra, porém devido a sua facilidade e aos recursos avançados de monitoramento da atividade espacial em torno do planeta, conseguiram avistar o segundo objeto que, através de seus cálculos, colidiria com Oberon 347, conferindo uma oportunidade para alguns.  

Com pouco tempo para ação, as elites financeiras e militares de diversas nações terrestres, dotadas do privilégio da informação, decidiram por salvar a si mesmas, reuniram às pressas seus recursos para enviar, em caráter emergencial, um destacamento de astronaves para a lua. 

Em posições de poder e utilizando-se da salvaguarda financeira de terem investido, eles reivindicaram a colônia lunar e partiram da terra sem alardes, simulando uma nova e rotineira remessa à lua. Longe das tragédias e do apocalipse que se instauraria, as elites fizeram do satélite seu novo lar, mas levaram consigo a ganância e a opulência de seu estilo de vida. 

A cidade preparada para uma população concisa de cientistas, pesquisadores, engenheiros e militares, não suportaria a longo prazo o imprudente estilo de vida de seus novos habitantes. E consequentemente, em algumas décadas, os recursos calculados trazidos da terra começaram a se esgotar, enquanto o suprimento produzido na lua não era mais suficiente para sustentar toda população. Os magnatas agora na lua, não dispostos a diminuírem seus privilégios, vendo-se diante da escassez iminente em mais alguns anos, usaram de seu privilégio e ordenaram que novas expedições fossem criadas. Desta vez com o objetivo de reconhecer e recolonizar a terra. O verdadeiro intuito, no entanto, não visava somente adquirir recursos, com o esvaziamento da colônia, as elites manteriam a lua para si, um paraíso para mais alta classe, e se aproveitariam da devastação terrestre como forma de controle sobre as outras classes. Todavia, não era imaginado por eles que sociedades prósperas e aberrações selvagens houvessem se desenvolvido, dificultando a reconquista de territórios e recursos na terra. 

Os lunarianos, que há gerações viviam isolados, enviaram colonizadores para restabelecer uma presença na Terra. Desconhecendo a existência de seres vivos e das I.As evoluídas após o impacto, eles se instalaram de forma neutra, buscando alianças com as sociedades humanas e as I.As para assegurar a sobrevivência e o progresso de sua civilização. O Império Lunaterra, é a união da colônia lunar e a nova colônia terrestre.

Entre a ambição e a necessidade

Entre a ambição e a necessidade

A cultura lunariana sempre foi marcada pela inovação, pela disciplina e pela busca incessante por melhores condições de vida. Cresceram em um ambiente artificial, onde cada respiro era concedido por sistemas meticulosamente projetados e cada gota d’água era fruto de processos químicos complexos para criar a sensação de atmosfera terrestre. Para eles, a Terra não era apenas um mundo a ser explorado, era um paraíso perdido, um sonho impossível que se tornou realidade, mesmo que essa realidade seja muito mais aterrorizante do que já foi um dia.

Desde os primeiros passos na superfície devastada do planeta, os lunarianos perceberam que a natureza, mesmo em sua forma mais selvagem, era algo que nunca haviam experimentado. O som do vento sussurrando e acariciando seus rostos, o fluxo de rios cristalinos que cortavam colinas e a simples sensação da chuva tocando a pele se tornaram experiências quase transcendentes. O Império Lunaterra, construído sobre a base do controle e da engenharia, viu na Terra não apenas um recurso vital, mas um desejo ardente, um desejo de possuir, moldar e habitar este novo mundo.

Explorando a vastidão do vlho mundo
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Explorando a vastidão do velho mundo

OImpério Lunaterra sempre se orgulhou de sua ordem, disciplina e racionalidade. Em sua sociedade altamente organizada, não havia espaço para dissidência ou desordem. Os recursos eram escassos, e cada cidadão deveria contribuir para o bem comum. Aqueles que ameaçavam essa estabilidade: criminosos, rebeldes políticos e indivíduos considerados indesejáveis eram vistos como pesos mortos, elementos que comprometiam a harmonia do império.

Assim, quando as elites lunares decidiram que a Terra deveria ser explorada, eles iniciaram uma árdua pesquisa através sondas e escaneamento orbital do solo terrestre. Porém, a eficácia de seus dispositivos era comprometida devido a alta radiação ainda presente no planeta que impedia a comunicação e desempenho dos mesmos. Surgiu então uma solução conveniente: ao invés de desperdiçar equipamentos e cientistas preciosos em missões potencialmente suicidas, por que não usar aqueles que já estavam condenados?

Nomeada de Missão Erebos, essas incursões compostas pela escória lunariana, visaram a exploração do globo. Destacamentos pequenos e dispensáveis foram enviados da lua aos cantos mais remotos do planeta, com o objetivo de coletar amostras, reunir informações e relatar a colônia lunar. 

Consequentemente, as incursões da Missão Erebos resultaram na perda de muitos lunarianos. Sem o conhecimento das novas ameaças, seus destacamentos acabavam mortos em biomas hostis, caçados por feras até então inimagináveis, ou perdidos e ilhados sem os devidos recursos para continuar suas jornadas.  

Até hoje a prática de enviar destacamentos lunarianos compostos pelos indesejáveis, é uma solução para a colônia lunar, que expande suas informações sobre atuais condições de diversos territórios sem importar-se com a vida dos missionários.

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Um grande passo para humanidade

Um grande passo para humanidade

As primeiras expedições encontraram na Terra um mundo brutal, repleto de horrores inesperados. Cidades fantasmagóricas, onde arranha-céus desmoronaram sob o peso do tempo. Florestas densas que haviam engolido antigos centros urbanos e os transformado em um novo tipo de bioma. Bestas mutantes, nascidas da radiação e da biologia corrompida. Máquinas abandonadas que ainda patrulhavam ruínas esquecidas, seguindo diretrizes antigas de um mundo que não existia mais.

Muitos lunarianos morreram logo nos primeiros dias. Alguns foram vítimas do ambiente, da fome, intoxicações e de predadores desconhecidos, outros enlouqueceram ao perceber que estavam sozinhos em um mundo que mal podiam compreender. Afinal, nem mesmo caminhar normalmente era possível para os lunarianos, dado a força superior da gravidade terrestre. 

Todavia, contrariando as expectativas, houve um pequeno contingente de missionário da Erebos que sobreviveu. Esses pioneiros involuntários se tornaram os verdadeiros desbravadores do planeta pós-colapso, descobrindo abrigos, aprendendo a caçar e, ocasionalmente, encontrando outros humanos que haviam resistido ao apocalipse.

Esses recém chegados ao planeta, apesar de serem a escória lunariana, aportavam munidos da mais refinada tecnologia desenvolvida por décadas pelas melhores mentes científicas. Suas cápsulas de exploração eram equipadas com um vasto suporte de aparatos para qualquer terreno ou situação, desde reatores de energia e compostos para restabelecer a química do solo, até armamento especializado e veículos adaptáveis de alta tecnologia. Previsivelmente, não tardou para que a humanidade que vivia de maneira miserável nas ruínas da sociedade, vissem nos lunarianos a esperança de reconstrução.  

Com o tempo, os lunarianos na Lua começaram a receber sinais intermitentes dos sobreviventes da Missão Erebos. Relatos de territórios seguros, de água potável, de civilizações fragmentadas que poderiam ser aproveitadas. As informações fornecidas por esses condenados traçaram o primeiro esboço do mapa das Terras Vazias.

O legado dos condenados

O legado dos condenados

A Missão Erebos serviu ao seu propósito. Os lunarianos da colônia lunar receberam os dados necessários e, um ano depois, quando as verdadeiras expedições militares e científicas aterrissaram no planeta, eles já dispunham de conhecimento sobre os riscos e as oportunidades para iniciarem seu processo de recolonização. No entanto, o Império Lunaterra nunca reconheceu oficialmente esses pioneiros forçados. 

Para os registros lunares, a verdadeira colonização começou apenas com a chegada dos primeiros soldados e engenheiros, e não com os condenados que vieram antes deles.

Mas o planeta não esquece. O sangue dos primeiros lunarianos a pisarem em seu solo ainda está marcado nas ruínas e florestas das Terras Vazias. E aqueles que sobreviveram, espalhados pelo mundo, carregam consigo uma verdade incômoda: o Império Lunaterra não nasceu glorioso como os próprios gostam de imaginar. Ele foi construído sobre os ossos daqueles que, sem humanidade ou empatia, foram enviados para morrer.

Após a fundação da base lunariana no planeta, esses primeiros grupos de expedições da missão Erebos encontraram-se divididos em pensamento e objetivo. Com a realidade de um novo mundo abarrotado de possibilidades, os ex-condenados acabaram se dividindo, com cada um escolhendo o próprio destino.

Os Redimidos

Redimidos de Erebos, viram na descida do império ao planeta, uma última chance de redenção. Sobrevivendo ao caos e à hostilidade do planeta, provaram sua utilidade ao Império Lunaterra, tornando-se guias, espiões e líderes de expedições. Seu conhecimento dos biomas, criaturas e sociedades humanas os tornou uma peças-chave na expansão lunariana. Dignos de cidadania plena, estes viveram na busca incessante por reconhecimento, servindo fielmente ao Império, ou então, para alguns casos, conspirando a fim de traçar seu próprio destino.

 

Os Subjugados

Quando as verdadeiras expedições militares e científicas chegaram, os sobreviventes de Erebos foram reintegrados à força ao Império Lunaterra. Aqueles sem habilidades excepcionais foram incorporados como soldados ou trabalhadores braçais, para que o império ainda pudesse fazer uso de seus conhecimentos adquiridos sobre no planeta.

 

Os Rebeldes

Houveram também aqueles que rejeitaram a ideia de retornar ao jugo lunariano. Adaptaram-se ao planeta, juntando-se a comunidades humanas sobreviventes ou até mesmo formando seus próprios grupos. Esses ex-condenados tornaram-se líderes comunitários, mercenários ou chefes de bandos hostis. Para os seus olhos, os Lunarianos eram algozes e a única alternativa era resistir a qualquer tentativa de dominação.

 

Os Desertores

Compondo uma parcela daqueles que nunca mais foram encontrados, os desertores silenciaram seus rastreadores, desaparecendo na imensidão das Terras Vazias. Para o império Lunariano, eles foram simplesmente dados como mortos. Mas entre algumas comunidades humanas, histórias falam de estranhos que vivem na periferia da civilização. Indivíduos que falam a língua dos Lunarianos, mas que evitam qualquer contato com eles.

O restabelecimento civilizacional

O restabelecimento civilizacional

A expansão lunariana não é apenas uma estratégia militar ou econômica é um reflexo de sua própria identidade. O Império Lunaterra não vê sua missão como uma simples colonização, mas sim como um projeto de reconstrução civilizacional. Para eles, os sobreviventes humanos e as IAs remanescentes não são apenas habitantes deste mundo, mas fragmentos de um passado caótico que precisam ser organizados sob uma nova ordem.

Eles adotam uma abordagem inicialmente diplomática. Ao encontrarem pequenas sociedades humanas ou enclaves de máquinas sencientes, oferecem integração ao império, fornecendo tecnologia, segurança e infraestrutura em troca de lealdade. Muitos sobreviventes vêem neste acordo uma bênção, um retorno à estabilidade e à prosperidade, 

todavia há outros que enxergam nele as amarradas de um sistema fracassado, oferecendo resistência.

Quando encontram oposição, os lunarianos não hesitam em recorrer à força. Sua doutrina militar é altamente eficaz, baseada em tecnologia de ponta, unidades táticas altamente treinadas e armamento adaptável a qualquer cenário. Seus embates são rápidos, cirúrgicos e com mínima margem para erro. Eles não procuram exterminar sociedades hostis, em vez disso, esmagam a resistência e oferecem aos derrotados a escolha de integrar-se ao império ou, em última hipótese, aliar-se à ele. Aqueles que não encontram-se à vontade com essas opções, são varridos para insignificância.

Os limites do império

Os limites do império

Apesar de sua postura expansionista, os lunarianos não se consideram conquistadores tirânicos. Para eles, a expansão é necessária a fim de garantir a sobrevivência e a qualidade de vida da espécie humana, mas sobretudo de sua própria sociedade. A colônia lunar, embora tecnologicamente avançada, é limitada em recursos e infraestrutura. A Terra, por outro lado, representa a abundância mesmo em seu estado devastado, com sua biodiversidade, seus oceanos e seu solo. Riquezas estas que a Lua jamais poderá dispor.

Contudo, os mistérios e perigos das Terras Vazias, com criaturas mutantes, ruínas infestadas de autômatos enlouquecidos e biomas alterados, continuam a desafiar a colonização lunariana. O império encontra resistência a seu domínio, em especial, com algumas das sociedades humanas, que resistem ferozmente à ocupação, recusando-se a se curvarem a um império estrangeiro. Certas IAs também, evoluídas para além de sua programação original, vêem os lunarianos como usurpadores e uma ameaça à sua existência, dificultando os avanços do império.

Não obstante, o objetivo dos lunarianos continua sendo a expansão acima das dificuldades. No encalço de  territórios que garantam recursos e qualidade de vida para sua população, os lunarianos expandem  integrando máquinas e sociedades humanas, sempre dispostos a utilizar da força quando necessário.

Entretanto, o Império Lunaterra não está isento de conflitos internos. Dentro de suas próprias fileiras há lunarianos que questionam os limites de sua expansão. Alimentada principalmente por aqueles que passaram tempo demais em meio aos terráqueos, essa divergência dentro império é movida pela interrogação de qual a linha intangível a ser cruzada que separa os lunarianos serem vistos como uma esperança de reconstrução, para se tornarem tiranos imperiais, governando um mundo que nunca lhes pertenceu.

A Vida Lunariana

A vida lunariana

Organização, Círculos e assentamento

O Império Lunaterra, tanto na Lua quanto na superfície terrestre, é estruturado em torno de um princípio central: cada indivíduo e cada família existe para servir e colaborar com o Império. O valor social não é herdado simplesmente pelo nome, mas conquistado pelo serviço, sendo militar, científico, logístico ou produtivo. O Império Lunaterra acredita que a grandeza não nasce espontaneamente: ela é construída, avaliada e recompensada com rigor.

A Vida na Lua

A vida na Lua

Em lunária, a colônia lunar, a vida é totalmente regimentada. O ambiente é artificial, fechado e têm a necessidade de ser eficiente. Cada setor, cada habitação e cada recurso é meticulosamente administrado. A sobrevivência sempre dependeu de disciplina constante, e isso moldou toda a cultura da colônia.

Desde o nascimento, cada cidadão lunariano é avaliado e orientado segundo suas aptidões e capacidades. Famílias inteiras se especializam em funções específicas: engenheiros de atmosferas, operadores de reatores, agrônomos de estufas,professores, oficiais militares, analistas científicos, roboticistas, manipuladores de dados de I.A, pilotos e motoristas, arqueotécnicos, entre outros. Essas famílias não são nobres, são úteis, e utilidade é a única moeda legítima para ascensão.

O acesso à tecnologia, educação e privilégios é estritamente escalonado de acordo com o desempenho de cada cidadão. Castas superiores possuem prioridade em recursos, viagens, instruções e emergências. Castas baixas ocupam funções braçais ou arriscadas, mas ainda assim vivem em ambiente seguro, previsível e controlado.

Desde o início da colônia lunar a individualidade é desencorajada. Um lunariano é, antes de tudo, uma peça de uma máquina maior para garantir o funcionamento e a “sobrevivência da espécie humana”.

A Ordem das Castas

A sociedade lunariana possui uma “pirâmide marcial-tecnocrática”:

 

1º Círculo - Imperial: 

Governantes, estrategistas, famílias fundadoras e altos comandantes.
 

2º Círculo - Acadêmico:  

Trabalhadores especializados, operários técnicos, instrutores, motoristas, navegadores, controladores, agrônomos, logística, manutenção pesada.
 

3º Círculo - Fundamental: 

Trabalhadores manuais, manutenção, operações repetitivas, serviços de campo, vigilância básica, cultivo simples, mineração bruta, transporte, saneamento.

 

Os Externos: 

Os foras da lei que foram destinados à serviços forçados como trabalhos extremos, operações de risco e quaisquer outras coisas nas quais possam dar a esperança de um retorno à civilidade.

A ascensão é possível, pode ser lenta e custosa quanto rápida e incisiva. Um feito extraordinário, descoberta científica, vitória militar, criação de uma nova tecnologia, ou contribuição vital ao Império podem elevar uma pessoa ou uma família inteira a uma casta superior. O que garante maior estabilidade, conforto e segurança de sobrevivência

A honra maior ao povo lunariano é “se tornar indispensável”.

A Vida na Terra

A vida na Terra

A Colônia Terrestre

A Colônia Terrestre

Com a chegada à Terra, os lunariano exportaram sua estrutura social rigidamente organizada. Eles estabeleceram uma capital: Terra Nexus, o primeiro grande bastião do Império no planeta. Erguida sobre as ruínas de uma antiga metrópole do mundo pré impacto, a cidade foi revitalizada e moldada segundo os princípios lunares, tornando-se o núcleo da presença imperial terrestre.

Apesar do grau tecnológico elevado, Terra Nexus não é uma cidade monumental. Seu propósito é funcional: eficiente, pragmática e fortificada. Cercada por muralhas de liga metálica lunariana, reforçadas com sensores, torres automatizadas, robôs de vigilância e guarnições armadas, ela é considerada o lugar mais seguro para qualquer lunariano em solo terrestre.

Dentro das muralhas de Terra Nexus, a vida remete à própria colônia lunar: organizada, limpa, segura e constantemente monitorada. Entretanto, diferentemente da arquitetura padronizada de Lunária, as ruas de Terra Nexus são mais irregulares, herança da cidade antiga sobre a qual foram construídas. As habitações variam entre módulos lunares e estruturas reaproveitadas, criando uma estética híbrida e funcional. A circulação é supervisionada por vigias, drones e patrulhas que não estão ali apenas para vigiar, mas porque fazem parte do corpo social que habita o interior da cidade. Para muitos, a patrulha constante é tão natural quanto o ar filtrado ou a luz artificial da Lua.

Fora da muralha de Terra Nexus estende-se a maior parcela da população do Império na Terra: colonos de castas baixas, trabalhadores temporários e indivíduos cujo serviço ainda não demonstrou valor suficiente para justificar sua admissão no núcleo fortificado. Essa vasta zona externa é dispersa, instável e vulnerável. A paisagem é composta por alojamentos improvisados, desde barracas reforçadas com tecnologia de ponta até abrigos rudimentares, além de oficinas de reparo, campos de treinamento, viveiros de cultivo, pequenas fábricas e diversos entrepostos militares secundários.

A vida fora da muralha é árdua, desgastante e frequentemente mortal. Criaturas nativas, bandos marginais, dissidentes armados e incidentes com máquinas selvagens fazem parte do cotidiano. Para os habitantes dessa região, sobreviver é um teste constante de resiliência, disciplina e utilidade perante o Império.

Por isso, atravessar os portões de Terra Nexus não é apenas um privilégio: é um verdadeiro rito de ascensão. Entrar para dentro das muralhas significa deixar de ser considerado um elemento descartável e passar a integrar, de fato, a estrutura vital do Império Lunaterra no planeta.

Muralhas não são exclusividade da capital. Qualquer lugar valioso como minas, refinarias, silos de energia, estações de pesquisa, centros de biotecnologia ou plantas de produção recebe proteção equivalente ou até superior. Alguns desses postos são verdadeiras cidadelas industriais: grandes, rígidos, isolados e cheios de soldados.

Nesses postos, os trabalhadores vivem sob o regime mais militarizado possível, pois qualquer falha compromete toda a logística lunariana no planeta.

Os Agregados

Os Agregados

Os agregados são os recém introduzidos ao Império Lunaterra. Existem diversas formas de iniciar uma vida sob o domínio lunariano, e nem todas são agradáveis. Muitos chegam pela pior via possível: como prisioneiros, pertencentes à casta mais baixa que o Império reconhece. Esses dificilmente ascendem, seja por estigma, por vigilância constante ou pela própria estrutura rígida que os mantém sempre um passo atrás.

Ainda assim, há aqueles que ingressam de forma pacífica. Povos humanos que buscam proteção, comunidades que aceitam tratados diplomáticos ou indivíduos que voluntariamente se juntam ao Império. Alguns desses demonstram grande valor, disciplina e aptidão, chegando a se destacar rapidamente. Porém, mesmo os mais hábeis enfrentam um obstáculo silencioso: o boicote dos chamados patriotas lunariano, cidadãos que acreditam que apenas descendentes lunares puros merecem ocupar posições internas e honradas dentro da sociedade.

Para os recém acoplados, o objetivo é sempre claro. Servir, trabalhar, provar utilidade e, acima de tudo, demonstrar lealdade. Somente então, e jamais cedo demais, podem sonhar com a permissão de atravessar a muralha e entrar em Terra Nexus. Este momento simboliza a verdadeira aceitação e o reconhecimento de que o indivíduo deixou de ser apenas um agregado e se tornou parte funcional do Império Lunaterra.

Planeta X Satélite

Planeta X Satélite

Embora os lunarianos se orgulhem de sua ordem e disciplina, a Terra introduziu algo que a Lua jamais ofereceu: imprevisibilidade. Na Lua, a vida é estática, controlada e previsível. Na Terra, ela é orgânica, perigosa e em constante mutação. Cada dia traz algo novo, seja um fenômeno natural, uma criatura desconhecida ou apenas o simples caos do ambiente vivo.

Depois da consolidação de Terra Nexus, muitos lunarianos das castas superiores começaram a se transferir para o assentamento terrestre, reduzindo gradualmente a dependência da colônia lunar por recursos. Voltar para a Lua é custoso demais. O Império consegue enviar uma nave apenas uma vez por ano, devido às limitações de energia, combustível e ao direcionamento de esforços para a expansão terrestre.

Apesar dos riscos, a vida na Terra é mais vibrante. Um lunariano que experimenta pisar em solo úmido, sentir a chuva caindo sem filtros, ouvir o canto de animais ou perceber o cheiro da brisa vinda do mar, dificilmente aceita retornar para a monotonia artificial de Lunária. A Terra desperta sentidos que estavam adormecidos por gerações.

As viagens da Terra para a Lua são mais simples do que o caminho inverso, mas ainda assim exigem preparação específica. Quem volta precisa usar um traje ou um exoesqueleto capaz de compensar a brusca mudança de gravidade, já que o corpo de um lunariano terrestre passa a se adaptar ao peso do planeta. Para aqueles que nasceram ou viveram apenas na Lua, o impacto é ainda maior. Chegar à colônia sem uma adaptação pode resultar em uma extrema fadiga muscular, o que pode levar horas, dias ou semanas de adaptação dependendo do estado físico do recém chegado . Por isso, qualquer viagem de retorno exige um período de aclimatação meticuloso.

A Terra é um risco constante, mas para muitos, tornou-se sinônimo de liberdade. A Lua permanece segura e precisa, mas cada vez mais distante daquilo que os lunarianos começaram a desejar para seu futuro.

Os Círculos

Os Círculos

A sociedade lunariana se organiza em castas conhecidas como Círculos de Serviço. Cada família e cada indivíduo ocupa um círculo que define seu grau de responsabilidade, confiança e utilidade diante do Império. Essa estrutura não se fundamenta em sangue ou nobreza, mas na capacidade comprovada de sustentar o avanço lunariano. O prestígio não é herdado gratuitamente. Ele precisa ser mantido, defendido e constantemente validado por feitos, eficiência e lealdade. Assim, o círculo funciona como uma órbita social, e cada cidadão vive em torno do Império como um corpo celeste em torno de sua estrela.

1º Círculo

No topo está o Círculo Imperial, composto pelas famílias fundadoras, altos estrategistas, administradores máximos e cientistas que definem os rumos do Império. Seus membros vivem nos setores mais protegidos da colônia lunar, onde a arquitetura é ampla, silenciosa e repleta de tecnologias que o restante da população jamais vê. Nesses ambientes, a vida se aproxima do que Lunaterra considera o ideal de civilização: conforto sem extravagância, precisão estética e funcionalidade absoluta. As crianças do Círculo Imperial recebem educação voltada para comando, diplomacia, matemática avançada e filosofia imperial, sendo treinadas desde cedo para pensar de forma estratégica. Seus dias são marcados por reuniões, estudos e decisões que moldam o futuro das colônias, e dificilmente têm contato direto com os trabalhos práticos que sustentam o Império. Vivem cercados de protocolos, proteção e uma constante sensação de distância em relação ao restante da população.

O Primeiro Círculo reúne aqueles que operam os setores essenciais da civilização lunariana, como energia, defesa, monitoramento, engenharia estrutural, medicina avançada e gestão de recursos. São famílias respeitadas, que vivem em áreas de moradia com controle climático refinado, acesso a educação de alto nível e laboratórios especializados. Seus dias são intensos, preenchidos por turnos longos e responsabilidade direta sobre sistemas que não podem falhar. A vida é confortável, mas rigidamente disciplinada. Eles têm pouco tempo para lazer, e quando o têm, utilizam-no em academias, bibliotecas técnicas e espaços de simulação. São vistos pelo Império como pilares de estabilidade e contam com privilégios superiores, como prioridade em transportes, proteção reforçada e o direito de portar determinados dispositivos restritos.

 

2º Círculo

O Segundo Círculo é composto por técnicos altamente treinados, operários especializados, instrutores, navegadores, agrônomos e equipes de manutenção pesada. Seus membros vivem em setores menos luxuosos, mas seguros e eficientes. Seus alojamentos são organizados em blocos funcionais, com dormitórios modulares e áreas compartilhadas para higiene, alimentação e estudo. A educação para seus filhos é ampla, mas mais pragmática, voltada para profissões técnicas e para a colaboração direta com o Primeiro Círculo. Esses cidadãos têm uma rotina previsível, mas exaustiva: longas horas em oficinas, cabines de controle, laboratórios menores ou áreas de cultivo. Embora gozem de certa estabilidade, sabem que qualquer falha ou avaliação negativa pode empurrá-los para tarefas menos desejáveis ou impedir a ascensão da família ao Primeiro Círculo. A competição interna é constante, mas silenciosa.

 

3º Círculo

No Terceiro Círculo estão os trabalhadores fundamentais, responsáveis por funções repetitivas, operacionais ou fisicamente desgastantes. Na Lua, vivem de forma simples, em módulos padronizados com conforto mínimo e recursos racionados. Suas rotinas começam cedo e terminam tarde, envolvendo atividades pesadas, manutenção de base, limpeza, transporte físico de materiais e operações que exigem força ou resistência. Eles raramente veem membros dos círculos superiores e, quando veem, é sempre em circunstâncias formais. Na Terra, esse grupo é frequentemente enviado para tarefas perigosas: exploração de ruínas, construção de muralhas, manutenção externa e trabalhos em ambientes hostis. Para muitos membros do Terceiro Círculo, a Terra representa tanto um risco quanto uma oportunidade. É comum que alguns aceitem missões difíceis em busca de reconhecimento ou de um feito que permita à família subir um degrau e conquistar espaço no Segundo Círculo.

 

4º Círculo

Abaixo de todos eles existem os Externos, indivíduos que ainda não pertencem a nenhum círculo. Estão entre eles prisioneiros, agregados recém incorporados, comunidades humanas que aceitaram tratados com o Império, trabalhadores temporários e terráqueos sob avaliação. Os Externos vivem geralmente em zonas periféricas, fora das muralhas e do ápice da proteção plena lunariana, mas ainda sim protegidos. Suas moradias são improvisadas ou fornecidas em estruturas provisórias, e seu acesso a recursos é extremamente limitado. Eles recebem apenas o essencial e são constantemente vigiados. Muitos trabalham em tarefas perigosas, como coleta de materiais raros, vigília em áreas selvagens e apoio de baixa qualificação a projetos de construção. Para eles, a chance de ascender ao Terceiro Círculo é rara e depende de disciplina extrema, lealdade contínua e resultados impressionantes. Apenas após longos períodos de serviço exemplar têm a oportunidade de iniciar o caminho rumo à cidadania lunariana.

Esse sistema de círculos permeia todas as relações sociais em Lunaterra. Define onde alguém vive, que educação recebe, quais tecnologias pode acessar e até mesmo como é tratado em situações cotidianas. A vida de um lunariano é moldada por seu círculo, e a maior honra para qualquer indivíduo ou família não é liberdade ou riqueza, mas provar sua indispensabilidade ao Império, garantindo assim um lugar cada vez mais próximo do centro dessa órbita social que sustenta toda a existência lunariana.

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